quarta-feira, 23 de maio de 2012

O stop motion do estúdio Aardman volta às telonas!


        faz um tempo que o gênero Animação tem ocupado grande destaque nos cinemas de todo o mundo. Seja pela sua impressionante qualidade técnica, como emMadagascareA Era do Gelo”, ou pela sensibilidade e complexidade de seus enredos, a exemplo deUpAltas AventuraseToy Story 3”. Dirigido por Peter Lord, co-fundador do estúdio Aardman, dos ganhadores do OscarFuga das Galinhas” (2000) e "Wallace & GromitA Batalha dos Vegetais" (2005),Piratas Pirados” (2012), apesar de ser mais infantil que as produções atuais do gênero, também promete agradar a pais e filhos
           Quebrando com os esteriótipos do pirata e repleto de humor britânico, o roteiro do filme conta a história do Capitão Pirata (voz de Hugh Grant) que, sem muita habilidade em saquear navios e ser o terror dos sete mares, sonha em conquistar o prêmio de pirata do ano, concorrendo com os experts na categoria Black Bellamy (Jeremy Piven) e Cutlass Liz (Salma Hayek). Junto com sua tripulação, que permanece fiel apesar dos sucessivos fracassos, o Capitão vai até a cidade de Londres, onde tem sua maior aventura, enfrentando a Rainha Vitória (Imelda Staunton). 
             A presença de personagens reais, como o cientista Charles Darwin (David Tennant), é uma das grandes sacadas do filme. Charles e seu macaco (referência à Teoria do Evolucionismo e a lenda de que Darwin tinha macacos como empregados), iluminam a trama. Polly, a ave de estimação do Capitão (um raro Dodô), também é um dos personagens fundamentais no enredo, razão das divertidas confusões em que o Capitão e sua trupe se metem
             O roteiro, baseado emOs Piratas, em Uma Aventura com os Cientistas (2004), um dos livros da sérieOs Piratas”, de Gideon Defoe, que mostra um lado bem atrapalhado de piratas do bem, tem sua graça, mas não surpreende. Depois dos sucessos, “Fuga das GalinhaseWallace & Gromitficou difícil superar as expectativas dos fãs. Apesar disso, tem algo que salta aos olhos dos espectadores, e não é os diálogos dos personagens e muito menos a moral da história (não se troca amigos por dinheiro e fama). 
           A produção, utilizando a técnica de Stop Motion (criada em 1906), que fotografa quadro a quadro, também usada nas outras realizações do estúdio Aardman, é o que mais impressiona no longa. Em meio a essa atual geração Pixar e ao uso recorrente de métodos cada vez mais avançados da imagem digital, o estilo artesanal e o uso das técnicas primitivas, porém de qualidade absoluta, agrega valor e enriquece a produção
             É claro que o processo de realização do filme está atrelado ao auxílio de uma alta tecnologia, a perfeição das imagens não nega. Entretanto, é a complexidade de uma animação feita com maquete de gesso, plástico e madeira e bonecos demassinha”, que encanta. Pensar em cada detalhe, nos vários tipos de sobrancelhas, olhos, mãos e nas 250 bocas criadas apenas para o protagonista, faz o filme ser mais belo aos olhos do espectador.
Isabela Almeida

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