Plateia
e atores se misturam no palco do espetáculo que trouxe de volta,
depois de anos sem atuar, três grandes atrizes paraibanas, para
representar com primor o texto rebuscado da autora Lourdes Ramalho. Em
“Anáguas”, o texto de Lourdes mais uma vez impressiona pela
sensibilidade e intensidade dos diálogos.
A
companhia Oxente, sob a direção de José Maciel, conta a história
do conflito entre três mulheres (mãe e filhas) que vivem na mesma
casa e compartilham suas angústias. A mãe, Maria das Graças,
interpretada por Margarida Santos, vive de luto desde a morte do seu
marido e tenta, sem sucesso, moldar o comportamento de uma das
filhas, Maria Cândida, interpretada por Palmira Palhano, que tem um
estilo de vida libertino, buscando de forma inconsequente entregar-se
as suas paixões e é constantemente alvo de críticas. Já a filha
mais velha, Maria Exaurina, interpretada por Mônica Macedo, é
conservadora e busca, assim como as outras, defender veementemente
suas convicções.
A ambientação atípica do espetáculo cria um
clima intimista que chama atenção logo na entrada da plateia no
teatro. Em um cenário iluminado por velas, as atrizes, posicionadas
em cima de escadas formando um triangulo no palco, conduzem um
poderoso canto a capella. O público é orientado a dirigir-se aos
bancos que estão espalhados no meio do triangulo, junto às atrizes,
agora já personagens. É fácil notar que o espetáculo já começou,
e sem o abrir das cortinas. A plateia, então, se transporta para
aquela casa antiga do interior, em que os moradores tomam banho “de
cuia” e usam anáguas como roupas de baixo. Na encenação, o
espectador se sente como o vizinho das Marias, a quem é contada as
agustias, as intrigas, os rancores, os ciúmes, as crenças, as
histórias de família.
O público se surpreende mais uma
vez quando é convidado a contracenar com as atrizes no desfecho da
peça, o que garante que o formato, diferente do palco italiano
(tradicional), não foi sem propósito. No enredo, as diferenças
entre as personagens se estreitam até que a condenação de umas às
outras vão dando espaço à redenção e ao apoio familiar.
Isabela Almeida

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